sábado, 18 de maio de 2013

História da Magia: Caça as Bruxas


A caça às bruxas foi um movimento social e religioso que atingiu a Europa na Idade Média, quando a Igreja Católica tinha também fortes influências políticas e econômicas, aonde eram perseguidas as pessoas que praticavam religiões pagãs, os curandeiros, celtas, druidas ou qualquer outra pessoa que não fosse católica, ou que fosse suspeita de comportamento anormal.  
A palavra “bruxa” significa mulher sábia. Naquele período, qualquer mulher que vivesse sozinha era vitima de suspeitas, até mesmo velhas viúvas, ter um gato em casa já era algo suspeito. Saber os benefícios e malefícios das ervas medicinais era considerada uma bruxaria. Podemos encontrar as caças às bruxas desde o auge da civilização babilônica. Esta suspeita costumava recair sobre as mulheres estrangeiras e suas estranhas práticas.  
Depois da enorme devastação decorrente da peste negra(que vitimou 1/3 da população européia entre 1347 e 1350) esses rumores aumentaram e passaram a focar mais em supostas bruxas e "propagadores de praga". Casos de processo por bruxaria foram aumentando lentamente, mas de forma constante, até que os primeiros julgamentos em massa apareceram no Século XV.
O mais famoso manual de caça às bruxas é o Malleus Maleficarum ("Martelo das Feiticeiras"), de 1486. Com 28 edições esse volumoso manual define as práticas consideradas demoníacas. Ele se torna uma espécie de bíblia da caça às bruxas e vai ter grande influência do outro lado do Atlântico séculos depois sobre as comunidades puritanas nos Estados Unidos tendo sido utilizado no famoso caso das bruxas de Salen.
As suspeitas (mulheres, quase sempre) eram enforcadas, decapitadas ou levadas à fogueira em praça pública. Acusadas de adorar ao diabo. Nesta mesma época, pessoas com doenças que hoje diríamos ser epilepsia ou convulsões eram tidas como pessoas possuídas pelo demônio e eram induzidas ao exorcismo. Entre endemoniados e bruxas, muitas pessoas inocentes morreram apenas por saber preparar um chapara dor de barriga...

Aspectos importantes da caça às bruxas:

·           O número total de julgamentos oficiais de bruxas na Europa que acabaram em execuções foi de cerca de 12 mil.
·           Embora tenha começado no fim da Idade Média, a caça às bruxas européia foi um fenômeno da Idade Moderna, período em que a taxa de mortalidade foi bem maior, no conceito de Terrorismo - Político de Corrupção.
·           Embora supostas bruxas tenham sido queimadas ou enforcadas num intervalo de quatro séculos — do século XV ao século XVIII — a maioria foi julgada e morta entre 1550 e1650, nos 100 anos mais histéricos do movimento.
·           O número de julgamentos e execuções tinha fortes variações no tempo e no espaço. Seria fácil encontrar localidades que, em determinado período, estavam sendo verdadeiros matadouros logo ao lado de regiões praticamente sem julgamentos por bruxaria.
·           A maior parte das mortes na Europa ocidental ocorreram nos períodos e também nos locais onde havia intenso conflito entre o Catolicismo e o Protestantismo, com conseqüente desordem social.
·           Ocorriam mais mortes em regiões de fronteira ou locais onde estivesse enfraquecido um poder central, com a ausência da Igreja ou do Estado. Fatores regionais tiveram papel decisivo nos modos e na intensidade dos julgamentos.
·           A maioria das vítimas confirmadas foi julgada e executada por cortes seculares, sendo as cortes seculares locais de longe as mais cruéis. As vítimas de cortes religiosas geralmente recebiam melhor tratamento, tinham mais chances de serem inocentadas e recebiam punições muito leves.
·           Muitos países da Europa quase não participaram da caça às bruxas, e 3/4 do território europeu não viu um julgamento sequer. A Islândia executou apenas quatro "bruxas"; a Rússia, apenas dez. A histeria foi mais forte na Suíça calvinista, Alemanha e França.
·           Numa média, 25% das vítimas foram homens, assim sendo 75% mulheres, mas a proporção entre homens e mulheres condenados podia variar consideravelmente de um local para o outro. Mulheres estiveram mais presentes que os homens também enquanto denunciantes e não apenas como vítimas.
·           Benedict Capzov, luterano fanático, foi responsável pela morte de aproximadamente 20.000 bruxas, apoiando-se na “lei” do Antigo Testamento. Costumava citar Êxodo (22,18); “Não deixarás viver a feiticeira”.
·           Até onde se sabe, algumas vítimas adoravam entidades pagãs e, por isso, poderiam ser vistas como indiretamente ligadas aos "neopagãos" atuais, mas oficialmente consta nos autos que esses casos eram uma minoria. Também é verdade que algumas das vítimas eram parteiras ou curandeiras, mas eram uma minoria. A maioria se dizia cristã ou judia, uma vez que a população pagã era bem rara na Europa da Idade Média.




  

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